segunda-feira, 28 de maio de 2007

borboletRas *3*

borboleta de Marcia Lana (acervo de Monica Valentim)



Passarinho sem asas
Caroline Schneider

Na estrada, no caminho
sou pa
*******ssa
*****ri
*******nho
sem asas
(...)
anseio estar pronto pra voejar
sou despojado de tempero alado
da anarquia, do fado
do desterro atrelado
liberto-me em meu instante pensar
volito em sinfonia de cantos
em odes ao vôo infinito
(quisera ser destemido)
e num salto, faísca de momento
apanhar borla em pé de vento
- nem que fosse derradeiro intento!
esvoaçar entre nuvens em adejo solto
degustando
o sabor do vento e
o arroubo
da tão almejada
LiBeRdAdE

***

Rosa-dos-ventos
Caroline Schneider

soturna
morri mais de uma vez
entre os lábios
escarnecidos de sangue
colmatada por corvos em revoada
deixei-me levar
por entre serpentes e lírios do caminho

tua mão, era meu único leme
e teu odor, o porto onde sempre saberia regressar

dardejantes raios luminosos
resplandeciam do teu olhar
qualquer morte minha
seria capaz de me cegar
mas tua contemplação
ressuscitou-me do insano
profano delírio de altivez
salvaste-me outra vez

teu amor, a rosa-dos-ventos
nossas vidas, o mapa central
eu só sobrevivo por possuir uma bússola mágica
que busca em ti o norte, sempre que me vejo perdida
entre as serpentes e os lírios do caminho

***

Beija-flor
Caroline Schneider

Sou flor
Tu, beija-flor
Pra longe partistes
Levando contigo
Uma parte de mim...
Não sei decifrar
Qual delas que foi
Se néctar
Se espectro de vida
Se plasma de prazer...
Só o que sei
É que sinto falta
Desta outra parte minha
Que só vive
Quando está junto de ti
Preciso estar completa...
Por isso, te peço
Voa...
Voa, beija-flor
E vem acariciar tua flor
Que te espera no jardim só teu
De flor única
Despetalada
Que implora por sua outra parte
Que tu levaste
Vem
Vem trazer de volta
Vem completar-me

***

Anjo decaído
Caroline Schneider


Anjo
decaído por um sonho de amor
banido
dos portões celestiais
por uma fagulha de paixão

sensibilidade
herdada de arcanjos cuj’alma
transmutou
em sementes de gozo e fertilidade

anjo da paixão
feiticeiro do prazer
alquimista
do elixir da sensualidade pura
compositor das sinfonias mais belas
que cantam o amor

tua mácula
é meu condão
que me inspira
preencher
as lacunas do coração

teu hálito
em minha boca
faz renascer em mim as asas
um dia perdidas
que me levaram à liberdade
de sentir-me
mulher

teus beijos
em meu pescoço
aguçam o olfato
do meu aroma feminino

um arrepio percorre meu casulo
e aflora a vontade de voar
e num sopro de vida
bato asas
sou borboleta,
livre vou a colorir o caminho
ao reencontro da vida

***

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Um comentário:

Múcio Góes disse...

Olá, fiquei uns dias sem net, e só hj vim agradecer tua visita lá no Tapas. Ele anda meio às traças, mas, como vc tb gosta de poesia, dê um pulinho no Traversuras. Gostei daqui, em especial "Passarinho sem asas", belo. Assim, brigado, viu?

beijo.

Quem sou eu

Minha foto
Curitiba, Paraná, Brazil
Sou tudo que fervilha. Sou o desenho das nuvens. Sou as lágrimas de felicidade. Sou o sorriso. O sol da manhã. Sou o suor escorrendo. O cheiro de café no corredor. Sou a borboleta voando. Sou meus sonhos. E também sou a realização deles. Pra mim, a vida tem sentido.

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